Márcio saiu em uma manhã ensolarada rumo a casa de sua amada, Carla. O relógio batia 8h.
Carla era uma moça bela, de pele clara, olhos e cabelos negros encaracolado até o meio de suas costas. Márcio era um homem alto, charmoso, de olhos verdes e cabelo cor de mel.
Chegando na casa de Carla, bateu em sua porta e a moça com um sorriso de orelha a orelha veio atender.
- Vim me despedir - O sorriso de Carla logo se desmanchou
- É hoje? - perguntou ela desviando o olhar para esconder as lágrimas que inundavam seus olhos.
- Infelizmente. Antes de ir quero lhe pedir uma coisa!
- O que?
- Quero que jure ser fiel durante minha ausência, que jure com o seu coração.
- Eu juru
- Jure direito!
- Se eu não for fiel a você, que me falte a luz na hora da morte!
Estava portanto jurado a fidelidade de Carla.
Um mês depois Márcio volta de sua viagem. No caminho para casa, ele parou em um bar para rever os amigos.
- Hoje você vai ganhar muitos beijos e cafunés, meu amigo. - disse Jorge, seu amigo de infância
Sua ansiedade para que isso acontecesse era imensa, o torturara desde que partira. Se despediu dos amigos e foi rumo a casa de Carla.
Durante todo o percurso e ainda mais nesse momento, ele apertava em seu bolso os brincos que comprara para Carla, com todo carinho.
Bateu a porta de sua casa. D. Ana era avó de Carla e foi quem atendeu a porta, Márcio já não aguentando de ansiedade perguntou:
- Chame a Carla porfavor D. Ana?
A decepção que se instalou no rosto de D. Ana, já marcado pelo tempo, era visivel. Se saber como dizer, que palavras usar, foi dizendo:
- Ela não mora mais aqui - as palavras falharam
Sem entender nada ele parou de apertar os brincos e fitou com o olhar D. Ana, como se ela estivesse brincando:
- Como assim?
- Ela conheceu um cara e foi morar com ele - respondeu ela o olhando com ternura
o corpo de Márcio se enfraqueceu, uma dor insuportável bateu em sue peito. Era como se estivessem esfaquiando-o, pouco a pouco.
Virou as costas e saiu de cabeça baixa. Antes que D. Ana entrasse ele perguntou:
- Onde ela está? - Perguntou ele com raiva nas palavras e tristeza no olhar.
- Em Downville.
Resolveu ir para lá. Era uma cidade pequena logo a encontraria. E foi assim, logo que chegou não demorou muito a encontra-lá com informações de moradores.
Parou em frente a sua nova casa, ela estava lá sentada na sala vendo televisão. Ele ficou ali parado por um instante observando sua beleza.
Respirou fundo e resolveu chamá-la. Ela veio e quando o viu seu olhar foi de surpresa e o chamou para entrar.
Ficou um silêncio na sala, daqueles que queremos que logo tenha um fim.
Ele quebrou o silêncio e disse:
- Você jurou
Ela ficou sem palavras. Desviou o olhar e respondeu:
- Foi inevitável, desculpe.
- Qual o nome dele?
- Diogo.
- Cadê ELE? - perguntou com desprezo
- Viajou. Quer beber algo?
- Um café, porfavor!
Ela saiu rumo a cozinha e ele ficou ali parado na sala, sem saber o que fazer. Logo um lhe veio a mente: Se ele a perdeu porque estava viajando, agora Diogo poderia perdê-la pelo mesmo motivo.
Ela entrou na sala e serviu o café, ele colocou a xícara na mesa do centro e tirou do bolso os brincos que havia comprado para ela.
Ela os olhou com carinho, olhou cada detalhe e finalmente os colocou, foi até o espelho e os admirou.
- São lindos, muito obrigado.
Márcio balançou a cabeça em sinal afirmativo.
- Ainda tenho chance? - pediu ele
- Não.
Essa palavra foi tão convicta que serviu com uma navalha cortando o peito de Márcio.
- Acho melhor você ir, se virem você aqui vão sair falando.
Ele a fitou com olhos de raiva, mas não conseguiu fazer nada. Ela andou até a porta e a abriu o convidando-o a se retirar, ele andou até ela e parou por um momento na sua frente mas novamente não consiguiu fazer nada. Começou a chover. Ele olhou para fora e saiu na chuva, suas lágrimas se misturavam com as gostas da chuva, ele caminhava na direção de seu carro pensando nas mulheres que havia conhecido e mesmo assim se manteve fiel. Entrou em seu carro e dirigiu lentamente, carros passavam furiosos por ele, buzinavam irritados e ele nem ligava.
Foi para casa, se recuperar do dia turbulento que tivera.
No dia seguinte, foi ao mesmo bar do dia anterior ver os amigos. Chegando lá, todos o cumprimentava, perguntava sobre a noite com Carla, sobre Carla, etc. Ele respondia tudo com um sorriso de quem viveu uma grande noite. parece que teve vergonha da realidade e preferiu mentir.
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Um comentário:
Coitado do meu xará, eu falo, que a pessoa não pode confiar... hehehe
http://comideiaseideais.blogspot.com
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